Na primeira semana vendendo pela internet, muita gente descobre que o frete não é um detalhe — é parte do preço final que o cliente compara com outras lojas. Calcular errado significa absorver custo que não entrou na planilha ou perder venda porque cobrou caro demais. Para loja pequena, sem integrador automático, o caminho passa por entender três coisas: peso, dimensão e quanto você pode subsidiar.

Peso real e peso cubado

Transportadoras cobram pelo maior valor entre o peso da balança e o peso cubado. A fórmula mais usada no Brasil divide o produto das dimensões (comprimento × largura × altura em centímetros) por 6.000. Uma caixa de 40 × 30 × 20 cm pesa, na prática cubada, 4 kg — mesmo que na balança marque 800 g.

Quem vende itens leves e volumosos — travesseiros, kits de festa, certos cosméticos em embalagem grande — sofre mais com isso. A saída não é mentir na etiqueta, e sim escolher embalagem que não desperdice espaço e testar o cubado antes de fixar preço na loja.

Antes de publicar frete fixo, pese cinco pedidos reais com a caixa que você realmente usa. A média surpreende.

Uma planilha que funciona

Monte uma tabela com colunas simples: CEP destino (use faixas se quiser simplificar), peso ou cubado, valor cobrado pela transportadora, valor que você repassa ao cliente e diferença. Não precisa de software caro — uma planilha compartilhada já resolve para volume baixo.

Inclua custos que costumam ser esquecidos: fita, papel de seda, etiqueta, deslocamento até a agência ou coleta, e tempo de embalo. Alguns lojistas convertem esse tempo em valor simbólico (mesmo que não paguem a si mesmos) para enxergar quando o frete "barato" na verdade come margem.

Se usa marketplace com frete calculado automaticamente, confira se a tabela interna bate com o que você pagaria despachando por conta. Divergências aparecem quando o produto muda de categoria ou quando a embalagem padrão da plataforma não reflete a sua.

Quanto cobrar do cliente

Existem três abordagens comuns entre pequenos vendedores:

  • Repasse integral: o cliente paga exatamente o que a transportadora cobra. Transparente, mas pode assustar em compras de ticket baixo.
  • Frete fixo por região: simplifica a vitrine. Funciona quando seus produtos têm peso parecido; perigoso se vende itens muito diferentes.
  • Subsídio parcial: você absorve parte do custo para competir. Precisa estar na planilha como linha explícita, não como surpresa no fim do mês.

Para loja iniciante, recomendamos começar com repasse integral ou fixo calculado sobre dez envios reais. Ajuste depois de um mês, quando tiver histórico — não no achismo do primeiro dia.

Erros que vemos com frequência

Ignorar o interior: enviar para capitais é barato; Norte e Centro-Oeste podem dobrar o valor. Se cobra frete único nacional, confira se a margem aguenta o pior CEP.

Esquecer devolução: se aceita troca, reserve margem ou defina política clara de quem paga o retorno.

Copiar concorrente: o frete grátis do vizinho pode ser viável para o mix dele e inviável para o seu. Compare estrutura, não só vitrine.

Calcular frete não é exato como física, mas não precisa ser loteria. Com peso cubado entendido, planilha atualizada e revisão mensal, a loja pequena para de sangrar margem em silêncio. No próximo passo, vale ler nosso guia sobre PAC e SEDEX para escolher o serviço certo depois que o valor estiver claro.